O que têm em comum “Avatar”, “Alice no país das Maravilhas”, “Toy Story 3” e “Shrek para sempre”, além do sucesso de público? Foram todos exibidos em 3D. E são produções americanas. Para tentar correr atrás da bilheteria perdida, nesta sexta-feira (23), artistas, exibidores e a indústria de eletrônicos se juntam no Anima Mundi para discutir o formato que está dando muita dor de cabeça aos produtores nacionais, mesmo com os óculos apropriados.
O animador Alê McHaddo, responsável pelo curta em 3D “BugiGangue - controle terremoto” (veja um trecho acima do curta, sem o efeito estereoscópico, ou seja, sem que a imagem "salte" da tela), foi chamado para mediar a mesa, que acontece dentro do Anima Fórum, braço mais "empresarial" do festival, no Centro Cultural Banco do Brasil, no Centro do Rio, às 15h. Para McHaddo, o formato 3D, diferentemente do que se pensa, não é salvação do cinema contra as cópias ilegais.
“Por um tempo, [o 3D] foi o diferencial do cinema para TV. Só que as televisões já começaram a ser vendidas, mesmo com pouco conteúdo para elas. E do mesmo jeito que o DVD é facilmente ‘pirateável’, daqui a pouco, o Blu-Ray em 3D vai ser facilmente pirateado. Porque é um arquivo digital.”Alê McHaddo lembra que, entretanto, o 3D não nasceu agora, mas há mais de meio século. Porém, a tecnologia sofria de dois problemas: as cores e a dor de cabeça.
“Agora, como tem a tecnologia para não prejudicar a cor e não dar um problema ocular na plateia, você pode fazer um filme inteiro tridimensional. Há um desconforto, tem gente que não gosta dos óculos, mas é muito menos do que tinha no passado. O que tem de novo não é o 3D, o 3D é uma tecnologia da década de 1950. O que tem de novo é como exibir sem comprometer a cor e sem incomodar, que veio junto com cinema digital.”
Para o Anima Mundi, McHaddo acredita que a discussão vai girar em torno da produção de conteúdo, para canais como cinema e a TV, além do recurso tecnológico de grandes fabricantes de eletrônicos. Ele acredita que haverá um crescimento da importância de videogames.
“O que eu acho que a gente vai descobrir na mesa do Anima Mundi é se o Brasil tem como exibir conteúdo tridimensional, e como vai ser essa estrutura. O parque está se expandindo, mas ainda é aquém do que está vindo de fora. Depois, se a televisão vai ser outra vazão. Não tem conteúdo nenhum para TV, a televisão que já está sendo vendida, que se falava muito na Copa do Mundo.”
Sobre o curta dele, rodado para experimentar a maneira de criar em três dimensões para a produção do longa-metragem sobre o mesmo tema, o animador acredita que já tem 30% da pré-produção pronta.
“A gente exibiu para 150 crianças em São Paulo. Agora a gente sabe o que é legal, o que é bom para colocar, do ponto-de-vista de história e também do ponto-de-vista de efeito. A gente está revendo o roteiro e fazendo o story board já pensando nas câmeras porque o 3D tem que ser absorvido pelo roteiro. Para aquilo funcionar. Para a gente usar a técnica”, acredita estimando que, com o dinheiro captado, o longa fica pronto em um ano e meio.


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